A árdua caminhada até seu dono

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Não sei se todos sabem o que é uma submissa (sub ou bottom), mas é uma pessoa que, no meio BDSM, se sujeita de livre e espontânea vontade a servir e obedecer a um Top (dom ou dominador).

Após um relacionamento com um rapaz que, ao contrário de todos os meus relacionamentos anteriores nos quais eu normalmente mando e domino, eu comecei a perceber que algo tinha mudado em mim. Esse rapaz começou a me mandar e fazer coisas comigo que jamais imaginaria. Ele apenas com um olhar em direção à porta me tirou de uma festa na qual me divertia. Ele fez sexo anal comigo coisa que jamais permiti e gostei muito. Mas o que mais me marcou foi um tapa que levei na cara e a frase “Não entendeu ainda que eu mando em você”. Ele sumiu sem dar notícias. (Hoje vejo que ele era do meio só não me contou).

Após essa relação, me pus a pensar sobre mim. Por que que eu tinha adorado ser dominada? Por que não reagi? Por que, por que, por que

Não consegui depois deste dia ter mais nenhum namoro sério. Usava meus PAs de cobaia na esperança deles quererem se “vingar” e fazer o mesmo em mim, mas não nada acontecia e quando acontecia não era nem parecido com o que eu havia vivido.

Aí veio a frustação e a antítese sobre o que eu sou a vida toda (mandona) e o que me deu prazer (ser mandada).

Não é fácil... A cabeça dá uma pifada. E durante 2 anos li tudo o que pude sobre dominação até cair no BDSM.

O BDSM tem regras rígidas mas existe para que os praticantes tenham prazer livremente em sua amplitude da palavra. Não é apenas o sexo que dá prazer. Entender e viver isso é o que nos últimos 6 meses tenho procurado.

Como em todo meio, existem os bons e os maus. Neste mundo existem os verdadeiros e os falsos. Ao me declarar sub iniciante me senti como uma ovelha no meio de uma matilha faminta. Eu era uma presa fácil, mas com a ajuda de um amigo e Mentor não cai em nenhuma enrascada.

Antes de qualquer sessão ou cena existe conversa ou conversas onde se definem os limites, uma palavra de segurança e as afinidades entre as partes.

Fui para uma sessão avulsa de adestramento (e teste) para ver se eu era realmente uma sub. É uma sensação indescritível de medo e curiosidade juntos e que geram um prazer inimaginável. Foi uma sessão onde não teve sexo pois eu estava menstruada e também porque havia sido combinado antes. Normalmente eu nem iria, mas o teste era realmente me sub julgar e humilhar a ponto de eu não ter vaidade ou vergonha de estar usando um OB e ficar de quatro para uma pessoa que eu mal conhecia. Detalhe, fiquei vendada a maior parte do tempo como prática de confiança.

O Top em questão era casado (coisa que para mim seria inviável), mas me senti segura, confiei nele, e me deixe ser conduzida por ele com o uso de uma coleira e uma guia. Ficar ajoelhada aos pés dele, sem poder tocá-lo, e nisso ficando com a xoxota encharcada. A ponto de levar um tapa na bunda e ser tratada como uma cadela sedenta por um dono.

Era exatamente assim que me sentia uma cadela de rua feliz por estar em frente a um possível dono que me levará para casa e me ensinará a ser uma putinha de luxo exclusiva deste dono. Sinto, a cada dia que passo nesta procura por este dono, que essa é a vida que eu quero para mim.

Obedecer, servir a meu dono para dar e ter prazer. Lógico que seguindo o SSC (são, seguro e consensual). Quero agradá-lo muito, servir sem contestar apenas com a certeza de que ele sabe o que é o melhor para mim. Até os castigos serão por merecimento ou até mesmo apenas por ele achar que eu os mereço.

Não quero qualquer Top somente para dizer que tenho um dono. Quero o Top que eu já escolhi para mim e ele está apenas me avaliando para saber se realmente será meu dono.

Enquanto escrevo este texto, estou completamente encharcada de vontade de que meu futuro dono o leia e perceba pelas minhas palavras o quanto eu terei prazer em servi-lo.

É assim que acontece com uma sub só dela pensar em seu dono fica encharcada doida por uma ordem. Espero que o Top leia e me aceite como sua sub e eu possa realmente saborear as práticas e viver neste mundo BDSM plenamente.

Esse conto ficou mais um desabafo que um conto erótico. Espero que quem o ler, consiga sentir pelas palavras escritas o prazer que é ser uma sub em sua plenitude.

https://www.casadoscontos.com.br/texto/201709733