O que estou pensando

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Estou te esperando na porta do auditório da faculdade. Hoje você fará uma apresentação, eu vim para arrumar tudo enquanto você ficou se preparando em casa. Já conferi tudo três, quatro, cinco vezes. Essa apresentação é importante para você, o que faz com que seja importante para mim também. Nada pode dar errado. Nada vai dar errado.

Você acabou de chegar. Vem com o andar firme e determinado, os cabelos cacheados brilhando ao sol e se movendo ao sabor do vento. Mas só eu, que te conheço tão bem, vejo o nervosismo em seu olhar. Se aproxima de mim, e me cumprimenta com um beijo. Te mantenho sob meu abraço, sentindo seu calor e seu perfume delicado, e você me pergunta sobre cada item necessário. Vou respondendo maquinalmente, meu olhar fixo no seu, mas sem te ver realmente. Você percebe e me dá um murro de brincadeira, sorrindo e perguntando:

-Ei, acorda! No que o Sr. Distraído está pensando?

Ah se você soubesse o quando está deslumbrante! O quando sua voz, seu jeito, sua ambição, sua força de vontade, e tudo o mais em você me atraem. Sua presença me aquece. E o seu olhar me enche de luxúria. Estou pensando em te beijar selvagemente, com as mãos perdidas em seus cabelos. Estou pensando que se fizesse isso, você iria apenas sorrir, e corresponder ao meu beijo. Estou pensando que ainda falta uma hora para a apresentação começar, e que estou com todas as chaves desse bloco, incluindo de uma pequena sala num corredor lateral.

Desejo te levar até lá, te encostar na parede, e beijar sua boca. Quero beijar seu pescoço, enquanto minhas mãos apertam sua bunda, e depois entram no cós da sua calça, empurrando-a para baixo. Estou pensando que, como sempre, você vai se entregar ao momento, ao nosso momento, e arranhar minha nuca enquanto me beija, e em seguida vai descer, se ajoelhando na minha frente, e abaixando minha calça. Estou pensando que você vai me abocanhar de uma vez, com um misto de tesão e pressa, pois nosso tempo é curto. Estou pensando em você olhando para mim, e ao mesmo tempo que está alegre, ainda não acredita na nossa loucura. Você se levanta, e eu te pego pelas coxas, enlaço suas pernas em meu corpo, e levo para uma mesa próxima. Estou pensando em te sentar nela, e me ajoelhar para sentir seu sabor. Você me diria que não temos tempo, mas eu não ligo. Na verdade é a desculpa perfeita para fazer como eu gosto, com força, pressionando forte minha boca contra você, seu cheiro ficando impregnado em mim, suas mãos arranhando minha cabeça, suas pernas cruzadas nas minhas costas, e você trincando os dentes para não gemer.

Estou pensando em me levantar, e te beijar de novo, te fazendo sentir seu próprio sabor, te controlando com as duas mãos em seus cabelos revoltos. Estou pensando que você vai fazer como sempre faz, manter a mão esquerda em meu pescoço, e controlar nosso encaixe com a direita. Eu te levanto outra vez e te imprenso na parede. Entre um beijo e outro, você sussurra, sorrindo:

-Eu sou louca, só posso ser, não devíamos fazer isso agora.

-Somos loucos amor, os dois, é por isso que estamos aqui juntos, vem, me beija.

Estou pensando em me mover lentamente, para aumentar seu desespero, e fazer que você peça mais velocidade. E então eu me movo depressa, apertando sua bunda e abafando seus gemidos tão gostosos com minha boca. Você agarra minha cabeça, cravando as unhas cada vez mais, na medida da sua crescente de prazer. Lá embaixo, sinto sua umidade, em tal quantidade que chega a gotejar junto com nosso suor. É o estímulo para que eu me mova cada vez mais depressa, nossas respirações descompassadas, pressionando nossos corpos um contra o outro.

Eu me afasto do beijo e colo minha testa à sua, te olhando nos olhos. Com três estocadas fortes e profundas, chegamos ao clímax, forte, intenso, você, em desespero para não fazer barulho, me beija de novo, e geme em minha boca, me abraçando apertado. Te levo de volta a mesa, pois minha força se foi. Minhas mãos voltam para seus cabelos, e ficamos nos beijando enquanto descansamos. Estou pensando que vamos trocar sorrisos e sussurros de que sim, somos loucos, e você me abraça, repousando a cabeça no meu ombro, esperando a respiração se normalizar. Até que me pergunta as horas, e se levanta depressa quando eu respondo, correndo para suas roupas e se vestindo, enquanto faço o mesmo.

Ao terminarmos, penso em nós analisando as roupas um do outro, tirando alguma sujeira ou amassado mais forte, na medida do possível. Puxo um lenço e tento limpar a marca de batom em meu ombro, ao que você me diz para desistir, batom não sai. Passeio a mão em todo o seu corpo, sob a desculpa de arrumar sua roupa, ao que você sorri, me mandando sair de perto antes que te ataque de novo. Penso que você, sempre precavida, vai ter seu perfume na bolsa, para disfarçar do corpo nosso cheiro. Eu saio da sala, confiro os corredores, e te mando uma mensagem avisando que você pode vir.

Você vai direto para o auditório, bebe água, e se senta nos lugares de honra. Eu vou para o meio da plateia. O evento começa, e você espera o momento de ser chamada. Quando isso ocorre, vejo seu caminhar firme, e você começa a falar olhando fixamente para mim, com seu olhar terno e ao mesmo tempo sapeca.

É nesse momento que eu estou pensando em como quero te proteger de tudo e de todos. E acima de tudo, estou pensando no quanto você é incrível.

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